Poema
Conjugal
A noite, amor,
é orvalho e Valium
caindo na serena madrugada.
Minhas palavras de cuspe
pesam na boca
à hora nervosa de dormir.
Que fazer, amor, se teu corpo ao lado
é medo - pois o dia inteiro
andei sobre cacos -
quando me deito?
Abro a janela para respirar: mas lá
também não encontro ar.
A noite, amor, está doente:
neste quarto, um pouco do que morreu
está presente.
....................Vamos andar.
....................Vamos à
cozinha.
....................Vamos respirar.
No silêncio feroz,
cada um de nós
abre com cuidado o seu bico de gás.